SER PERFEITO

Ao escutar a dor das pessoas que me procuram, percebo que, muitas vezes, o seu sofrimento está ligado a uma educação que as fez acreditar que precisavam ser perfeitas.

A ideia de perfeição é, na verdade, uma utopia quando falamos da existência humana. O que significa, afinal, "fazer tudo bem"? O que define o "bom comportamento"? Sim, é essencial que os seres humanos sejam orientados para a virtude, mas isso deve acontecer sem negar ou rejeitar o lado sombra — aquela parte de nós que julgamos menos perfeita. Quando nos exigem perfeição, a dor da culpa e o sentimento de desvalia por não atingir expectativas irreais podem adoecer-nos.

É urgente criar espaços de diálogo seguro onde possamos observar os julgamentos e valores que nos limitam, aprendendo a viver e a amar tudo o que há em nós — tanto a luz quanto a sombra. No nosso dia a dia, é fundamental encontrar momentos para acolher a culpa, escutar o que ela nos diz sobre aquilo que não foi respeitado em nós, e transformar essa escuta numa oportunidade para aliviar a amargura, a tristeza, a zanga e o sentimento de nulidade que dela podem advir.

Aceitar a nossa imperfeição é um trabalho exigente, mas indispensável. É tempo de acolhermos a nossa complexidade, reconhecendo o inacabado e o contínuo processo de evolução que somos. Ao observar, compreender, aceitar, perdoar e (re)construir, aprendemos a amar incondicionalmente o Ser em construção que habitamos.

 

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